Na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump anunciou que já havia formalizado o acordo preliminar com o Irã. Eleuforicamente declarou que o Estreito de Ormuz, um corredor crucial que anteriormente respondia por um quinto do fornecimento mundial de petróleo, poderá ser reaberto até a próxima sexta-feira. O entendimento entre as nações estabelece um cessar-fogo em todas as frentes do conflito por 60 dias, durante o qual ambas as partes continuarão discutindo questões complexas, como o futuro do programa nuclear iraniano.
Como resultado imediato da negociação, os preços do barril de petróleo sofreram uma queda significativa no primeiro dia de pregão após o anúncio do acordo, retornando a níveis de março. O barril de petróleo tipo Brent, referência global, registrou uma queda de quase 5%, passando para US$ 83,17. Nesses dias críticos do conflito, a cotação havia superado os US$ 110, enquanto, antes do início das hostilidades, estava mais próxima dos US$ 70.
Embora um retorno completo aos níveis anteriores ao ataque de EUA e Israel em 28 de fevereiro seja duvidoso, integrantes da equipe econômica federal acreditam que o preço do barril poderá cair para abaixo de US$ 80 se o acordo se concretizar. Essa tendência poderá provocar efeitos positivos nas projeções de inflação e na taxa de juros no Brasil. O Ministério da Fazenda reconhece que as elevações nas estimativas inflacionárias estão ligadas diretamente ao impacto da guerra no mercado petrolífero.
Antes do início dos conflitos, as previsões do Boletim Focus para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontavam uma taxa de inflação abaixo de 4% para 2026 e 2027. No entanto, as projeções atuais aumentaram, situando-se em 5,30% para este ano e 4,10% para o próximo. O Banco Central, em resposta a essas novas realidades, optou por manter uma postura cautelosa em relação à redução da taxa Selic, que inicialmente estava projetada para cair. A expectativa agora é de uma diminuição bem mais modesta.
Nesta semana, o Banco Central pode realizar um terceiro corte de 0,25 ponto percentual, fazendo a taxa passar de 14,50% para 14,25%. Contudo, há indícios de que essa pode ser a última redução do ciclo, especialmente considerando os desafios econômicos atuais.
Além disso, uma descompressão nos preços do petróleo poderia aliviar as pressões sobre novas medidas para conter os preços dos combustíveis no Brasil. O governo já implementou um pacote robusto de subsídios, que gerou um custo elevado para os cofres públicos. Entretanto, tal gasto pode ser compensado por um aumento na arrecadação através de royalties do petróleo. Se o cessar-fogo se sustentar, a aprovação de projetos que visem utilizar receitas extraordinárias para mitigar os efeitos da guerra sobre a população poderá ser desnecessária. No entanto, dada a instabilidade das negociações entre EUA e Irã, a cautela sobre a efetividade do acordo permanece.





