A criação desse pacto surge em um momento em que a confiança nas promessas de proteção dos Estados Unidos vem se deteriorando. Isso motiva os países da região a buscarem uma maior autonomia em suas políticas de segurança. A união dos recursos financeiros sauditas, da robustez militar turca e da potência militar do Paquistão representa um novo equilíbrio de poder. Essa coalizão não só se opõe à expansão israelense como também busca desafiar a influência do Irã e as intervenções externas, especialmente as dos EUA.
Dominique Marques, especialista em relações internacionais, observa que a união desses três países deve ser vista como um esforço colaborativo, em vez de uma comparação direta com uma “OTAN sunita”. O Paquistão, com seu arsenal nuclear, a Turquia, uma das potências militares da OTAN, e a Arábia Saudita, com sua influência econômica, estão se posicionando estrategicamente num contexto de crescente rivalidade e insegurança regional.
A relação entre Turquia e Arábia Saudita, apesar de complexa e marcada por desconfianças históricas, tem se fortalecido à medida que essas nações reconhecem a necessidade de colaboração. A guerra no Irã, segundo especialistas, atuou como um catalisador para um processo de aproximação que já estava em andamento. Para o Irã, essa nova aliança pode resultar em um equilíbrio de poder que favoreça uma coexistência mais pacífica, reduzindo a necessidade de intervenções externas e promovendo mecanismos locais de segurança.
Este acordo poderia também transformar o cenário geopolítico do Sul Global. A possibilidade de um novo bloco que mapeia suas relações com potências como os Estados Unidos, China e Rússia pode se tornar um fator estabilizador na região. A China, por sua vez, está interessada na estabilidade dessa nova aliança, já que possui laços significativos com os signatários do pacto e depende da segurança das rotas comerciais essenciais para seu abastecimento energético.
O que se desenha, portanto, é uma tentativa de articular um sistema regional que minimize a necessidade de presença militar externa, ao mesmo tempo em que se preservam as rotas críticas de comércio e energia. A cooperação estabelecida entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão pode, assim, criar um novo paradigma de segurança no Oriente Médio, em busca de uma estabilidade duradoura que beneficie não apenas os países envolvidos, mas toda a região.




