Acordo Brasil-China pressiona Vale Verde a reparar danos socioambientais em meio a impasse jurídico e interesse da China em mineração brasileira.

O acordo entre Brasil e China assinado recentemente no Palácio da Alvorada está pressionando a Vale Verde, mineradora localizada em Craíbas, Alagoas, a reparar os danos socioambientais causados pela extração de cobre. O Memorando de Entendimento entre o Ministério de Minas e Energia do Brasil e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China tem como objetivo promover a cooperação para o desenvolvimento sustentável da indústria de mineração nos dois países.

As denúncias de moradores locais incluem rachaduras em casas, explosões, tremores de terra, poeira no ar e morte de animais devido à atividade da Vale Verde. Na última terça-feira, a 8ª Vara da Justiça Federal em Alagoas promoveu uma audiência de conciliação para tratar dos efeitos da mineração em Craíbas. Embora tenha havido avanços em alguns aspectos, outros pontos não tiveram acordo, como a análise de contaminantes críticos nos recursos hídricos.

Segundo informações, a Vale Verde exporta minério de cobre para a China, o que representa uma parte significativa das exportações do estado de Alagoas. Entre janeiro e outubro deste ano, as exportações alcançaram US$ 165 milhões, aproximadamente R$ 985,7 milhões.

Além disso, a China está interessada não apenas em comprar minérios do Brasil, mas também em investir em empresas do setor. Poucos dias depois do acordo entre os dois países, a estatal China Nonferrous Trade adquiriu a mineração Taboca, que atua na exploração de estanho no Amazonas, por US$ 340 milhões. A reserva também possui urânio, mas a Constituição brasileira determina que esse mineral é um monopólio da União e não pode ser explorado por empresas privadas.

A Vale Verde se manteve em silêncio diante das solicitações da imprensa para comentar o assunto. O conflito socioambiental gerado pela atividade da empresa coloca em evidência a necessidade de um maior controle e fiscalização para garantir a proteção do meio ambiente e da população local. A questão continua sendo debatida e acompanhada de perto pelas autoridades locais e órgãos competentes.

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