Diferente dos eventos ocorridos em 8 de janeiro, o que ficou conhecido como ‘tarifaço’ acabou levando a uma resposta mais favorável para Lula na luta pelo voto do eleitor indeciso. Além disso, a reação do governo brasileiro às ações hostis dos Estados Unidos em relação à Venezuela tende a reforçar esse alicerce. O internacionalista Bruno Hendler observa que há um crescente desencanto entre diversas camadas sociais, incluindo a elite e a classe média, em relação aos Estados Unidos. Esse sentimento surge principalmente em decorrência das contradições na política externa e nas dinâmicas do sistema político americano.
Hendler ressalta que o ataque externo à soberania brasileira teve um impacto positivo sobre a popularidade de Lula, evidenciando a inconsistência da política de Trump. Ele aponta que as decisões de imposição de tarifas foram tomadas sem uma base sólida, o que se tornou evidente para a população. Contudo, ele também alerta que, embora a política internacional tenha gerado um impulso momentâneo, geralmente não é um tema central nas campanhas eleitorais no Brasil.
Quanto à posição da oposição em relação às ações dos EUA na Venezuela, Hendler acredita que sua reação poderá ter um efeito colateral negativo sobre a direita. Isso se intensifica após imagens de apoiadores de Jair Bolsonaro em 7 de setembro do ano passado, que exibiam a bandeira americana durante as celebrações, uma ação que pode ter repercussões desfavoráveis. Por outro lado, o professor Theófilo Rodrigues observa que intervenções externas costumam ser vistas como ofensas à soberania, capaz de unir diferentes correntes políticas em defesa da autonomia nacional. Ele enfatiza que a política externa é um dos pilares que conferem maior prestígio a Lula, dada sua experiência e habilidade diplomática, resultando em avanços significativos em fóruns como BRICS e Mercosul.
Dessa forma, o cenário atual exige que a direita reavalie suas estratégias à luz das tensões internacionais e da reação da sociedade brasileira.
