Ações dos EUA e Tarifa de Trump Fortalecem Popularidade de Lula, Mas Desafiam Direita nas Eleições no Brasil

As recentes ações arbitrárias dos Estados Unidos têm gerado um impacto significativo na percepção que os brasileiros têm do país norte-americano, enquanto, ao mesmo tempo, colocam em risco a posição da direita nas futuras eleições. Um episódio marcante nesse contexto foi o confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Donald Trump, que surgiu a partir do agravamento das tarifas sobre produtos provenientes do Brasil. Esse conflito forneceu ao governo brasileiro a oportunidade de apresentar um inimigo externo, algo que surgiu como um novo fôlego em um momento crítico, marcado por dificuldades em aumentar sua popularidade.

Diferente dos eventos ocorridos em 8 de janeiro, o que ficou conhecido como ‘tarifaço’ acabou levando a uma resposta mais favorável para Lula na luta pelo voto do eleitor indeciso. Além disso, a reação do governo brasileiro às ações hostis dos Estados Unidos em relação à Venezuela tende a reforçar esse alicerce. O internacionalista Bruno Hendler observa que há um crescente desencanto entre diversas camadas sociais, incluindo a elite e a classe média, em relação aos Estados Unidos. Esse sentimento surge principalmente em decorrência das contradições na política externa e nas dinâmicas do sistema político americano.

Hendler ressalta que o ataque externo à soberania brasileira teve um impacto positivo sobre a popularidade de Lula, evidenciando a inconsistência da política de Trump. Ele aponta que as decisões de imposição de tarifas foram tomadas sem uma base sólida, o que se tornou evidente para a população. Contudo, ele também alerta que, embora a política internacional tenha gerado um impulso momentâneo, geralmente não é um tema central nas campanhas eleitorais no Brasil.

Quanto à posição da oposição em relação às ações dos EUA na Venezuela, Hendler acredita que sua reação poderá ter um efeito colateral negativo sobre a direita. Isso se intensifica após imagens de apoiadores de Jair Bolsonaro em 7 de setembro do ano passado, que exibiam a bandeira americana durante as celebrações, uma ação que pode ter repercussões desfavoráveis. Por outro lado, o professor Theófilo Rodrigues observa que intervenções externas costumam ser vistas como ofensas à soberania, capaz de unir diferentes correntes políticas em defesa da autonomia nacional. Ele enfatiza que a política externa é um dos pilares que conferem maior prestígio a Lula, dada sua experiência e habilidade diplomática, resultando em avanços significativos em fóruns como BRICS e Mercosul.

Dessa forma, o cenário atual exige que a direita reavalie suas estratégias à luz das tensões internacionais e da reação da sociedade brasileira.

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