Acionistas da Americanas reagem a operação da PF e afirmam ter sido enganados pela antiga diretoria em meio à investigação de fraude bilionária.

A recente operação da Polícia Federal (PF) trouxe à tona novos desdobramentos no caso da Americanas, envolvendo figuras proeminentes do conglomerado. Entre os alvos da operação, que ocorreu na manhã do dia 25, estão Carlos Alberto Sicupira, acionista da empresa, e Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho do investidor Jorge Paulo Lemann. A ação investiga a bilionária fraude financeira que escandalizou o mercado em 2023, resultando em um deficit estimado em R$ 25,3 bilhões na companhia.

A operação, que já está em sua segunda fase, denominada “Disclosure”, realizou a execução de nove mandados de busca e apreensão em localidades de alto perfil, como Rio de Janeiro e São Paulo. Para a primeira vez, a investigação se estende a acionistas e executivos de instituições financeiras, revelando a gravidade das supostas fraudes. Além das buscas, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados, totalizando até R$ 54 bilhões.

Em um comunicado oficial, os acionistas de referência da LTS — holding que gere as participações de Lemann, Sicupira e Marcel Telles em várias empresas — expressaram surpresa com a operação, enfatizando que se sentiram enganados pela antiga administração da Americanas. A nota afirma que, até a revelação pública das fraudes contábeis em 11 de janeiro do ano passado, os investidores não tinham consciência das irregularidades que estavam ocorrendo na empresa. Eles reafirmaram seu compromisso de cooperar com as investigações, colocando-se à disposição das autoridades.

A nota também destaca que as defesas ainda não tiveram acesso completo ao conteúdo das decisões judiciais relacionadas, o que poderá impedir uma resposta mais elaborada no momento. Ao que tudo indica, as investigações têm sido fundamentadas em três delações premiadas de ex-executivos da companhia, aliados à quebra de sigilo de dados e a um conjunto de depoimentos colhidos ao longo dos últimos anos pelas autoridades. A operação acende um alerta no mercado, refletindo a necessidade de maior transparência e vigilância nas práticas corporativas.

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