Acidentes com Animais Peçonhentos Custam ao SUS R$53,6 Milhões em 10 Anos: Estudo Revela Aumento nas Internações e Desigualdades Regionais na Saúde Pública Brasileira

Um estudo realizado por equipes da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e da Universidade Federal do Rio Grande, em colaboração com a Academia de Ciências Veterinárias da Galícia, apresentou dados alarmantes sobre a incidência de acidentes com animais peçonhentos no Brasil e seu impacto na saúde pública. A pesquisa, publicada na revista Discover Public Health, revela que, ao longo de uma década, o país registrou mais de 186 mil internações devido a picadas de serpentes, escorpiões e aranhas. O custo total associado a esses acidentes ultrapassa R$53,6 milhões, sendo que cerca de 18% deste montante foi direcionado a atendimentos em unidades de terapia intensiva (UTI).

A análise destacou um aumento tanto no número de internações quanto nos custos relacionados ao tratamento, evidenciando a necessidade de atenção urgente a esse problema crescente. Embora os acidentes com escorpiões tenham sido os mais frequentes, as picadas de serpentes incidiram de forma mais significativa no aspecto econômico, refletindo a gravidade de suas consequências.

Flávio Rodrigues, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, enfatiza as desigualdades regionais que permeiam o cenário da saúde no país. Enquanto a região Norte concentra o maior número de internações, os custos médios por paciente são inferiores, apontando para a dificuldade de acesso a serviços de saúde de alta complexidade. Por outro lado, na região Sudeste, os gastos se elevam, especialmente em decorrência de atendimentos complexos, evidenciando a disparidade no tratamento e na assistência.

No contexto local de Alagoas, o levantamento identificou 777 internações, totalizando um custo aproximado de R$207 mil, com mais de R$37 mil relacionados a UTI. A capital, Maceió, destacou-se nesse panorama, acumulando R$167 mil em custos hospitalares e servindo como principal centro de atendimento para os casos mais graves no estado. Já cidades como Arapiraca e Coruripe também apresentaram índices consideráveis, notadamente em acidentes com escorpiões.

A professora Lívia Freitas, coautora do estudo, ressalta a urgência em implementar políticas públicas que garantam acesso rápido ao tratamento soroterápico, destacando a importância da vigilância sanitária e da educação em saúde. A desigualdade no acesso aos serviços de saúde e a variação no padrão de atendimento frente a acidentes com animais peçonhentos clamam por ações efetivas que possam evitar consequências mais graves para a população. A pesquisa, portanto, não apenas elucida um problema crítico de saúde, mas também serve de chamado à ação para a melhoria do sistema de saúde nacional.

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