A dor da perda foi expressa nas redes sociais pelo pai do garoto, Vinicius Antunes, humorista e roteirista, que agradeceu a homenagem prestada pelo artista Allan Sieber, que retratou a criança com um largo sorriso. O caso foi registrado pela polícia como homicídio culposo, reacendendo a discussão sobre a segurança no trânsito, especialmente para ciclistas e usuários de veículos de mobilidade elétrica.
Estudos recentes do Corpo de Bombeiros demonstram um aumento alarmante no número de acidentes envolvendo autopropelidos no Rio, que saltaram de 65 em 2024 para 211 no ano seguinte, e já contabilizam 49 apenas neste ano. Embora exista a Resolução 996, de junho de 2023, estabelecendo diretrizes sobre a circulação desses veículos, a falta de regulamentação por parte das prefeituras impede a aplicação efetiva dessas normas.
Raphael Pazos, presidente da Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio, se mostrou indignado com a situação, destacando que a prefeitura não se manifestou suficientemente após as mortes e que a Guarda Municipal se sente impotente devido à falta de regulamentação. De acordo com a resolução citada, cabe à Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) regulamentar a circulação desses meios de transporte. No entanto, até o momento, não há um prazo definido para que medidas sejam tomadas.
O acidente ressaltou a importância da criação de infraestruturas seguras para ciclistas. A prefeitura já lamentou as mortes e mencionou que um decreto está em andamento, mas ainda não forneceu detalhes concretos sobre quando isso se tornará realidade. Algumas ruas da cidade, como a Rua Conde de Bonfim, onde ocorreu a tragédia, apresentam limites de velocidade superiores aos 40 km/h mencionados na resolução, o que levanta questões sobre a segurança na circulação de autopropelidos.
Com uma malha cicloviária de 501,86 km, a cidade parece estar longe de cumprir as promessas feitas em planos como o CicloRio, que previa a construção de mais ciclovias. Infelizmente, a ausência de sinalização adequada e a falta de um ambiente seguro para ciclistas e usuários de veículos de eletricidade continuam a ser uma preocupação latente na capital carioca. A angústia pela perda de Chico e Emanoelle é uma chamada à ação urgente para que a segurança no trânsito seja tratada como prioridade nas políticas públicas da cidade.
