Tragédia nas Grutas do Spar chama atenção para riscos de turismo em áreas não sinalizadas
As Grutas do Spar, em Maricá, às margens da exuberante Mata Atlântica, têm atraído um número crescente de visitantes em busca de conexão com a natureza e atividades radicais. No entanto, apesar do charme que o local oferece, há um alerta grave de guias e instrutores que acompanham os turistas: a falta de sinalização e os riscos correspondentes à exploração de um ambiente que, embora belo, pode ser traiçoeiro.
Infelizmente, a urgência desses avisos ganhou destaque após a morte da enfermeira Rosemary de Silva Garcia, de 59 anos, que faleceu durante uma visita ao local no último domingo. Rosemary aguardava para realizar uma descida de rapel quando um acidente fatal ocorreu. O evento trouxe à tona a perigosidade do local e as condições precárias de segurança que os visitantes enfrentam.
O acesso às Grutas do Spar requer uma trilha que, embora guiada, não conta com a sinalização necessária para prevenir possíveis acidentes. O percurso, que leva aproximadamente 40 minutos e se torna cada vez mais desafiador, é repleto de pedras soltas e trechos escorregadios, particularmente após chuvas. De acordo com Paulo Pereira da Silva, um guia experiente, “não há sinalização em nenhum ponto do trajeto, nem mesmo na área do rapel, além de uma simples placa indicando a chegada à gruta”.
As grutas, formadas por escavações antigas, abrigam uma lagoa natural, mas a experiência de visitá-las não é inócuo. Os visitantes são aconselhados a levar lanternas, pois o interior das cavernas é escuro e pode ser lar de morcegos e aranhas. As intervenções de exploração mineral realizadas no passado ainda assombram a região, resultando em estruturas que podem colapsar a qualquer momento.
Os avisos sobre os riscos são constantes, mas muitos turistas, atraídos pela beleza do local, frequentemente se aventuram sem a supervisão de profissionais qualificados. Instrutores como Matheus Moura, que já conduziu mais de 400 pessoas no local, comentam que “a falta de conhecimento técnico é alarmante” entre os visitantes, o que pode resultar em tragédias.
Diante do falecimento de Rosemary, a investigativa 82ª DP de Maricá iniciou uma apuração. Enquanto isso, a Prefeitura de Maricá ressalta que, por se tratar de uma propriedade privada, não está vinculada à fiscalização das atividades que ocorrem nas Grutas do Spar. A conscientização sobre os riscos das aventuras em locais não sinalizados é mais necessária do que nunca, especialmente em um cenário onde a apreciação da natureza pode, tragicamente, resultar em fatalities.





