A falta de um plano claro provocou reações de analistas econômicos, que expressaram ceticismo em relação aos benefícios prometidos a longo prazo para a população venezuelana. Segundo Roberto Uebel, economista e professor de relações internacionais, a expectativa é de que os lucros obtidos com a exploração do petróleo se direcionem mais para os Estados Unidos do que para os cidadãos do país. Ele argumenta que, embora a operação não deva provocar uma crise imediata no setor petrolífero, ela poderá aumentar a oferta de petróleo no futuro, alterando a dinâmica de preços a nível global.
A instabilidade trazida por essa incursão militar também pode afetar outros países da América Latina, especialmente Cuba e Colômbia. Enquanto Cuba pode encontrar dificuldades se os EUA usarem o controle do petróleo como uma forma de pressão, a Colômbia já foi mencionada por Trump como um possível próximo alvo. Por outro lado, Uebel sugere que a China poderia se beneficiar, talvez aumentando sua distribuição de petróleo venezuelano sob a supervisão americana.
Eduardo Galvão, outro especialista em relações internacionais, salienta que 80% da economia venezuelana é dependente da exportação de petróleo bruto. Para que essa indústria funcione de maneira eficaz, uma transição pacífica de governo é essencial. A narrativa de Trump, ao falar em benefícios ao povo venezuelano, pode ser vista como uma tentativa de suavizar resistências e garantir um ambiente mais controlado para as operações de extração.
As consequências econômicas da intervenção americana tendem a ser mais relevantes a médio e longo prazo, especialmente em um contexto onde os EUA demonstram uma disposição crescente de utilizar a força militar para atingir seus objetivos na América Latina, ao que Galvão compara a uma “virada de chave” na política externa americana. Essa abordagem pode tornar a região menos atrativa para investidores, que passarão a temer uma possível repetição de ações militares por parte dos Estados Unidos em busca de recursos naturais.
Por fim, a interrogação sobre como uma gestão americana na Venezuela afetará a população e a estabilidade regional permanece em aberto. As incertezas podem levar a um impacto em cadeia, provocando escassez e tensões sociais no país que já luta contra crises econômicas severas. O dia seguinte à ação militar é considerado o mais arriscado, pois a busca por suprimentos e a possível insatisfação popular podem gerar uma nova onda de desordem civil, o que não só aprofundaria a crise no país, mas também poderia influenciar negativamente a economia de toda a América Latina.
