A ministra já havia lançado a primeira apresentação da versão em Nheengatu no mês passado, na cidade de São Gabriel da Cachoeira, situada no Amazonas, que possui o maior número de indígenas do Brasil. Rosa Weber ressaltou a importância do trabalho realizado por tradutores indígenas bilíngues da região do Alto Rio Negro e Médio Tapajós, além do apoio da Academia de Língua Nheengatu. A curadoria do projeto ficou a cargo do presidente da Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, e do professor José Ribamar Bessa, doutor em Literatura Comparada e especialista na história das línguas indígenas.
Durante a entrega, a ministra enfatizou que é função do estado promover a acessibilidade da Constituição a todos os cidadãos, garantindo os direitos e deveres de toda a população. Marco Lucchesi, presidente da Biblioteca Nacional, destacou o protagonismo dos indígenas no processo de tradução, reconhecendo a importância de valorizar e preservar as línguas indígenas.
Além da entrega da tradução, a ministra Rosa Weber assinou um acordo de cooperação entre a Biblioteca Nacional e o Conselho Nacional de Justiça, visando o intercâmbio de informações, documentos e apoio técnico-institucional, bem como a realização de assistência técnica e palestras. Vale ressaltar que essa visita representa a primeira vez, em um século, que um chefe do Poder Judiciário comparece à Biblioteca Nacional. A última vez foi em 1923, quando Hermínio Francisco do Espírito Santo esteve presente durante o velório de Rui Barbosa, jurista, jornalista e político que foi um dos responsáveis pela elaboração da Constituição de 1891.
Essa iniciativa contribui para a valorização das línguas indígenas e para a preservação da diversidade cultural presente na sociedade brasileira. A tradução da Constituição para o Nheengatu é um passo importante para a inclusão e o reconhecimento dos povos indígenas, garantindo que suas vozes sejam ouvidas e que seus direitos sejam respeitados. A entrega da versão para a Biblioteca Nacional proporciona o acesso de todos os brasileiros interessados em conhecer e compreender esses povos e sua cultura, fortalecendo os pilares democráticos do país.





