A era da Inteligência Artificial: fintechs enfrentam desafios ao equilibrar inovação e foco em soluções reais, diz executivo da RecargaPay

Durante a “Rio Innovation Week 2026”, Gustavo Victorica, cofundador e COO da RecargaPay, destacou que o setor financeiro atualmente se encontra em um momento de intensa experimentação com a Inteligência Artificial (IA). Em sua visão, essa fase é marcada pela falta de clareza sobre quais problemas estão sendo efetivamente solucionados, o que, segundo ele, pode ter consequências negativas.

Victorica observou que, embora muitas empresas estejam testando novas tecnologias, muitas vezes elas perdem de vista o objetivo principal que é resolver problemas reais. Ele mencionou a proposta do painel em que participou, intitulado “No Bullshit AI”, que sugere um enfoque crítico sobre a aplicação da IA, enfatizando a necessidade de utilizá-la para impactos tangíveis ao invés de apenas para seguir tendências.

Uma comparação interessante feita pelo executivo foi entre a atual evolução da IA e a migração para o mobile, que começou na década de 2010. Ele alertou que, apesar de a IA ser o futuro, uma implementação desordenada pode resultar em soluções improdutivas. Victorica citou um exemplo específico de automação na RecargaPay: o processo de estorno de valores em casos judiciais, que antes demandava mil horas de trabalho humano por mês e atualmente é reduzido a apenas 30 horas, com um único colaborador responsável pela validação das informações.

Os desafios da IA na área de atendimento ao cliente também foram abordados. Victorica mencionou um caso em que a empresa implementou uma ferramenta que inicialmente teve desempenho inferior ao humano, mas, após ajustes e treinamento, conseguiu melhorar significativamente o tempo de resposta e a satisfação do cliente.

Além disso, ele enfatizou que, no setor financeiro, a tecnologia não é o recurso mais escasso, mas sim o discernimento sobre como utilizá-la de maneira eficaz e cuidadosa dentro de um ambiente altamente regulado. A RecargaPay, por sua vez, mantém um modelo de trabalho 100% remoto, apostando em rituais que promovem a colaboração e a inovação, mesmo com equipes distribuídas em diferentes países.

Finalmente, Miguel Perdigão, gerente-geral de Produtos Financeiros da RecargaPay, corroborou esse ponto, citando a rapidez com que a empresa consegue desenvolver novos produtos, como créditos consignados e cartões de alta renda, sem depender da presença física dos colaboradores. Assim, ele reafirma a importância de uma cultura empresarial que funcione bem de forma remota, o que, segundo ele, tem sido fundamental para atrair e reter talentos de diversas áreas em diferentes países.

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