A relatora da CPMI, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), sugeriu a reconvocação do tenente-coronel Mauro Cid. Ele já prestou um depoimento à CPMI no dia 11 de julho, mas investigações da Polícia Federal revelaram seu envolvimento na venda ilegal de presentes recebidos pelo Brasil de autoridades estrangeiras. Gama argumenta que é necessário um novo interrogatório, devido às práticas apontadas em outras investigações e ao possível envolvimento do tenente-coronel em escala maior do que inicialmente se pensava.
Além disso, a comissão pode votar a quebra de sigilos de outros três militares ligados à Ajudância de Ordens da Presidência da República na gestão de Bolsonaro. A relatora quer investigar se eles estão envolvidos no pagamento de despesas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro com dinheiro vivo e sem comprovação de origem. São alvos dos requerimentos o coronel Marcelo de Costa Câmara, o tenente Osmar Crivelatti e o sargento Luis Marcos dos Reis, que presta depoimento à CPMI nesta quinta-feira logo após a reunião deliberativa.
Outro ponto que será discutido é a quebra de sigilo da deputada Carla Zambelli e pessoas ligadas a ela. A denúncia feita pelo hacker Walter Delgatti Neto à comissão motivou o pedido de investigação. Delgatti afirmou que Zambelli pagou R$ 40 mil para que ele tentasse invadir plataformas mantidas pela Justiça na internet, com o objetivo de questionar a validade do sistema eleitoral brasileiro. A relatora da CPMI defende a quebra dos sigilos fiscal, telefônico e telemático da parlamentar e também de três pessoas relacionadas a ela, buscando evidências de pagamentos ao hacker.
A comissão também analisará requerimentos referentes à participação de servidores públicos no planejamento e execução de bloqueios em rodovias no dia do segundo turno das eleições presidenciais de 2022, especialmente na região Nordeste. A quebra de sigilo fiscal, telefônico e telemático de Marília Ferreira de Alencar, André Saul do Nascimento, Luís Carlos Reischak Júnior, Marcelo de Ávila e Djairlon Henrique Moura é requerida para investigar o caso.
A CPMI pode ainda votar requerimentos relacionados ao financiamento de caravanas de manifestantes a Brasília nas vésperas dos atentados de 8 de janeiro. Relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontaram a grande pulverização dos contratantes de fretados, o que levanta suspeitas sobre a utilização de pessoas como laranjas para ocultar os verdadeiros financiadores das caravanas e dos manifestantes.
Outras convocações que serão votadas pela comissão envolvem o coronel Marcelo Casimiro Vasconcelos Rodrigues e o subtenente Beroaldo José de Freitas Júnior, membros da Polícia Militar do Distrito Federal. A intenção é identificar quem permitiu a abertura da Esplanada dos Ministérios a manifestantes antes do dia 8 de janeiro e analisar as tentativas de dissuadir a perturbação da ordem pública.
A reunião da CPMI do 8 de Janeiro promete ser intensa, com diversos requerimentos em pauta e importantes decisões a serem votadas.
