O substitutivo do relator, deputado Merlong Solano (PT-PI), incorporou à MP o texto da política de valorização do salário mínimo, que prevê aumento real equivalente à variação positiva do PIB de dois anos anteriores. A política entrará em vigor a partir de 2024. O novo valor do salário mínimo é de R$ 1.320, vigente desde 1º de maio deste ano. A valorização do salário mínimo seguindo essa política é considerada uma ferramenta para diminuir a desigualdade.
O impacto orçamentário previsto pelo governo para o aumento real é de R$ 18,1 bilhões para 2024, R$ 25,2 bilhões para 2025 e R$ 39,1 bilhões para 2026. Em caso de taxa de crescimento negativa do PIB, o reajuste será apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O texto autoriza o Poder Executivo a estabelecer os aumentos por decreto.
Outro ponto incorporado à MP é o reajuste da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF). A isenção aumenta de R$ 1.903,98 para R$ 2.112,00 a partir de 1º de maio de 2023. A proposta prevê também um desconto simplificado de 25% da faixa de isenção, podendo chegar até R$ 2.640,00 mensais. A expectativa é que mais de 13 milhões de contribuintes sejam beneficiados.
No entanto, a tributação sobre rendimentos de aplicações no exterior, trust ou fundos offshore, que também estava prevista na MP, foi retirada após a votação de um destaque em Plenário. Esse tema deverá voltar a tramitar na forma de um projeto de lei a ser enviado pelo Poder Executivo.
Durante a discussão da medida provisória, deputados destacaram a importância do aumento real do salário mínimo, afirmando que isso traz melhorias para a população. Alguns deputados ressaltaram ainda que a proposta concretiza uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A política de valorização do salário mínimo e o reajuste da faixa de isenção no IRPF são considerados avanços no sentido de diminuir a desigualdade e beneficiar a maioria da população. No entanto, houve também críticas por parte da oposição, que questionou o cumprimento das promessas de campanha relacionadas ao Imposto de Renda. A MP agora seguirá para análise do Senado.
